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A Sorte da Raposa

Partilha de emoções, experiências, reflexões ❤

A Sorte da Raposa

Partilha de emoções, experiências, reflexões ❤

Há gentileza e também pressa

23.02.25, Dulce Ruano

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Era horário de almoço, apesar do curto tempo há sempre quem aproveite ou precise de fazer uma compra ou duas num hipermercado, mas a pressão dos ponteiros é grande, há que gerir bem o tempo, comer, deslocar, procurar os produtos e a parte pior que é sempre difícil de prever, o tempo na caixa para pagar e sair.

Estavam duas caixas abertas com filas abundantes, qual delas a mais vistosa, Maria encontrava-se no meio da fila de uma delas, as duas pessoas mais próximas eram um homem na casa dos 50A e à frente dele uma mulher na casa dos 30A.

A fila parecia ter estagnado mas sem se perceber o motivo pelo que não havia nada a fazer senão esperar até que se ouve um alti falante a indicar a abertura de outra linha de caixa e que as pessoas deveriam, por ordem de chegada, passar para essa nova linha de caixa.

Maria aguardou que as pessoas à sua frente se movimentassem para lá porém o homem 50A questionou a mulher 30A se pretendia mudar de fila uma vez ela estava à sua frente, apesar dela não ter por base essa intenção, o facto dele lhe perguntar despertou-a e acabou por ir para a nova caixa, de seguida foi ele e a seguir foi Maria e mais pessoas.

Na nova fila de caixa a mulher de 30A era quem liderava a fila, a operadora fez-lhe a conta, ao indicar o valor a pagar a mulher 30A diz apavorada que não tinha o cartão com ela, a operadora acalmou-a e indicou-lhe que podia pagar por MBway mas ela indica que não tinha a aplicação.

Atrás dela começam os bocejos e expirações profundas e talvez arrependimentos, digo eu, principalmente do “cavalheiro amável” que lhe deu prioridade.

A mulher 30A informa a operadora que só tinha a aplicação de caixa direta mas que não sabia como fazer o pagamento e a operadora diz-lhe que a iria ajudar a resolver, porém o homem 50A começava a exibir alguma agitação chegando-se um pouco à frente e diz “desculpem intrometer-me mas estou com imensa pressa, eu pago as compras desta senhora mas por favor deixe-me seguir, quanto é?

Instala-se por momentos um clima de estagnação e espanto, o homem insiste em pagar para se despachar, a operadora indica o valor, ele paga e de seguida paga as compras dele saindo dali de forma ágil e veloz.

A mulher 30A apenas diz “mas eu não tenho forma de lhe devolver o valor” e ele diz “não se preocupe, as suas compras estão pagas e um dia que encontre uma situação idêntica, faça o mesmo”.

Parece que era uma conta de vinte e poucos euros.

Bem, ninguém lhe tirou a matrícula, pelo que sei.

Nevão de migalhas

14.02.25, Dulce Ruano

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As manhãs da preguiça são aventuras matinais que me levam a fazer figurinha de banda desenhada em quadradinhos, coloridos, frenéticos, embaraçosos e muito divertidos.

Sou bastante madrugadora, levanto-me cheia de projetos a fazer antes de sair de casa para o trabalho e geralmente faço porém tenho fases que não me apetece fazer nada limitando-me aos mínimos obrigatórios dum duche rápido, selecionar a roupa à pressa, preparar pequeno almoço ainda mais à pressa e sair para o trabalho, estas madrugadas da preguiça levam-me a emoções pouco agradáveis e a uma ginástica de coordenação incrível, pelo menos ganho alguma destreza.

De manhã gosto de comer sopa e fruta mas por vezes, para despachar, faço umas torradas, ponho-as num prato fundo (porque gosto de pôr neste tipo de prato) e tento comer em casa, porém quando olho para o relógio e estou no limite acabo por levar o prato para o carro, enquanto me desloco consigo dar umas dentadas nas torradas e fica o assunto resolvido.

Num deste dias tinha torradas de pão espanhol, como se sabe a massa deste pão esfarela bastante parecendo-se com areia bem fininha e neste caso torrada, pouco depois de ter saído e enquanto fazia o estradão de casa que não tem nenhum trânsito até à estrada principal comi o pão, o prato estava com imensos miolinhos minúsculos típicos do pão espanhol, se os deixasse talvez se deslocasse e ficariam miolos espalhados pelo que decidi deitar fora mas em andamento uma vez que ainda estava numa zona sem qualquer trânsito, abro o vidro e lanço os miolos para o ar, como que por um ato mágico não sei que jeito dei ao prato que os miolos vieram todos para dentro numa grande sopradela deixando-me literalmente coberta de salpicos brancos que só parecia que tinha levado com um nevão em cima.

Continuei a viagem e a ver o rico trabalho que ali tinha arranjado imaginando já um grande aspirador para limpar a jabardeira que ali se dera e a desejar que me passe depressa a preguiça matinal.