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A Sorte da Raposa

Partilha de emoções, experiências, reflexões ❤

A Sorte da Raposa

Partilha de emoções, experiências, reflexões ❤

Arvorismo

23.09.22, Dulce Ruano

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Passar por experiências acrescenta-nos em sabedoria, satisfação, afirmação e torna-nos especiais. Há uns anos quando passava por momentos radicais achava que tinha de os aproveitar porque com o passar da idade, a destreza iria reduzir além de que a vontade em meter-me em aventuras também diminuia devido à própria natureza do ser humano.

Analisando as aventuras e emoções que tive no passado diria que em comparação estou, atualmente, mais radical, com mais destreza, força, vitalidade e garra.

Estas caracteristicas não se aprendem, captam-se porque, ou se querem ou não se querem. Não me acomodo, parto sempre para a luta determinada que tenho de fazer o que quero fazer e esta forma de ser é cúmplice de aventuras mirabolantes.

Há duas coisas que gosto muito: Subir rochas e andar sobre alturas, desde muito pequena que quem me via feliz era a subir pedras, árvores e muros, nunca tive acidentes e ganhei, com o tempo, uma destreza que me faz levitar quando me meto nestas aventuras.

Mais tarde acabei por praticar escalada em rocha natural na Serra da Estrela e um bocado mais à frente tive a primeira experiência de Arvorismo no Gerês. Gostei tanto de andar de árvore em árvore a acabar numa descida em slide que fazia lembrar uma criança que desce no escorrega e volta a escorregar mais cinquenta e oito vezes.

Noutra experiência em árvores a descida era em queda livre, aí é que a porca torceu o rabo, sentei-me sobre a base da árvore com as pernas em suspenso porque me faltara coragem para saltar, o guia com a sua enorme paciência esperou acalentando-me com sugestões de como o deveria descer até que cruzei os braços, fiz beiça e disse-lhe que não adiantava fazer-me a cabeça porque dali eu não saía.

Num determinado momento o rapaz, sem saber que mais havia de dizer para me estimular à decisão de saltar perguntou se queria voltar atrás fazer a via toda ao contrário para descer o que me provocou uma sensação de fraqueza de espirito, de imediato levantei-me, agarrei na corda suspensa e atirei-me no vazio, chegada ao chão o meu pai fez uma festa e o rapaz tinha ares de aliviado.

Uma vez visitei uns amigos na Suiça, eles sabendo do meu espirito aventureiro e radical levaram-me a um parque de Arvorismo perto da casa deles, entusiasmadíssima encaixei o capacete, meti as pernas no baudrier e o guia reuniu o grupo para umas explicações, de todas as vezes que tinha feito Arvorismo fora acompanhada com um orientador que explicava todas as mudanças e técnicas a usar de árvore em árvore e como este guia falou em língua Romanche não percebi patavina pelo que me passou tudo ao lado achando que o guia me orientaria, que mais não fosse por gestos quando estivesse sob as árvores.

Senti um ligeiro pavor ao perceber que teríamos de ir em autonomia e pelo que a minha amiga me traduziu, havia técnicas que eram inprescindíveis de saber, tal como travar com o Grigri, um sistema de travão para a chegada à árvore seguinte fosse amena e não provocasse algum dano a mim ou à árvore, porém, as minhas emoções estavam ao rubro e quase não dei ouvidos àquela tradução.

O parque era enorme, as árvores esguias e duma altura imponente, havia sete níveis de dificuldade, só não fiz o último que já era do tipo Iron Man. Tinha várias formas de passagem, desde pequenos círculos de madeira, rolo sim, rolo não, escada horizontal, túneis de rede, reta de corda, bicicleta, skate, trotinete, slides (havia um nível só de slides, que brutal).

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Num dos níveis tinha uma passagem engraçada, sob a base tinha de me apoiar num pequeno assento agarrado a uma corda, lançar o corpo para a frente com o máximo alcance possível para chegar à rede da árvore seguinte, ainda lhe toquei mas não me consegui agarrar pelo que o meu corpo é projetado para trás ficando em forma de pêndulo até parar ao meio e ficar ali no vazio sem saber como havia de sair até que o rapaz que aguardava o apoio puxou a corda bandeando-a um pouco de modo a que eu conseguisse chegar à rede, soltei o apoio, trepei e cheguei à base da árvore.

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Quando passei ao nível da via dos slides parecia um filme de ficção cientifica de tanta estrela que vi, aí é que entendi a falta de atenção à tradução da minha amiga sobre como travar, só depois de vários incidentes é que percebi que quando me estava a lançar para a árvore seguinte tinha de travar com o Grigri uns momentos antes para não me esbardalhar contra o tronco o que aconteceu em várias situações, uma dessas vezes o embate foi tão forte que senti um estrondo na cabeça tal foi a violência, o capacete bateu e percebi a qualidade com que era feito além de que ainda fiz um corte e um galo na testa sobre o olho direito não falando do choque que houve entre o meu tronco e o da árvore, que grande embate, sentia o corpo a estalar por dentro e a cabeça a zunir.

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Recomposta continuei a batalha, terminei a via dos slides em grande, a chegada era sobre um enorme tronco que para proteção, devido á rapidez com que se alcançava, tinha uma grande rede para nos segurar e mais uma vez não travei, tal era a velocidade que levava que me estatelei totalmente sobre a rede sentindo-me literalmente uma SpiderWoman agarrada à teia.

Depois desta descida vertiginosa e super radical não me conseguia mexer, é como que estava colada e quase que deixei de sentir o corpo, olhei para baixo, vi a minha amiga a rir e a tentar dizer-me que eu tinha que ter travado tal como me tinha explicado, eu só pensava que para a próxima já sabia.

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Quando cheguei ao chão estava cheia de mazelas, levava um senhor galo na testa, vários cortes no sobrolho, braços e canelas, as nódoas negras demonstravam bem a guerra travada no cimo daquelas árvores.

Saí do parque completamente esgotada mas feliz, o que mais desejava era chegar a casa e enfiar-me dentro da cama porém, quem quer boas amigas arranja-as e a minha ofereceu entrada para um Balneário Termal com direito a tudo, banho de contraste, banho turco, sauna, jacuzzi, piscina exterior de água quente com vistas para a montanha, jatos de água, piscinas coloridas, efeitos de cascata, solário e umas espreguiçadeiras bastante confortáveis, foi um grande problema sair dali.

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Nota: Imagens meramente ilustrativas retiradas da net por preguiça de procurar as minhas 

 

 

 

 

 

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