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A Sorte da Raposa

Partilha de emoções, experiências, reflexões ❤

A Sorte da Raposa

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De correr aos tiros

13.06.21, Dulce Ruano

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Acordei às 06:00h da manhã. A mochila com o equipamento estava pronta, tomei o pequeno-almoço, preparei comida para todo o dia, umas sandes, fruta, água, às 7h estava a caminho do ponto de encontro marcado com o Penta Clube da Covilhã devido ao convite que fizeram para participar na prova de Laser Run em Coimbra.

Assim que chegamos começa a chover, ansiosos pelo verão e bom tempo ninguém ia preparado para clima chuvoso ainda assim tudo correu bem, rumámos à zona da prova, juntámos as mochilas num único lugar e uma vez que a nossa prova estava para depois das 3h da tarde procurámos uma pastelaria ali perto para o deleite dos que não lhes pode faltar o café, fui por companhia, não tomo café no período da manhã.

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Estávamos no Parque da Canção nas margens do Mondego com o amparo da Ponte de Santa Clara, os pingos da chuva voltam à ameaça porém entrámos na Pastelaria a tempo suficiente de nos livramos duma enchurrada de água que por momentos nos fez pensar que se assim continuasse não haveria condições para a realização de qualquer prova. Não foi o caso, bendita chuvada que não passou dum refresco.

O trânsito estava dificil, havia em vários pontos da cidade condicionantes devido à prova de Triatlo Taça da Europa a decorrer ao lado da nossa de Laser Run e no momento em que conseguimos atravessar a rua na direção da pastelaria, passa o meu colega de trabalho o Vicente, não me viu mas por momentos achei-me estranha, que probabilidade tão reduzida de ali passar um carro com alguém que eu conhecia, uma pessoa com quem trabalho todos os dias, em jeitos de coboiada ainda o chamei por entre os pingos da chuva, "Ó Vicenteeeeee", claro que não me ouvia, tão pouco acreditava que o tinha acabado de ver, mal me sentei mandei-lhe uma mensagem para o whatsApp, achou que estaria a brincar com ele mas quando lhe disse que o tinha visto mesmo à saída da Ponte de Santa Clara viu que era a sério, que momento íncrivel. 

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A intenção era mesmo só tomar um café, porém, o momento em que olho para a vitrine da doçaria, foi o degredo, sem necessidade alguma e só porque não resisti peço um bolo, especialidade da casa, chamam-lhe palmeira, folhado com creme de ovo no meio e uma crosta em cima que me levou aos céus, parti em cinco mas deu-me vontade de o comer todo, os meus colegas não se deixaram ficar, levantam-se e pedem outros bolos, dividimos para todos, a menina que nos serviu também não se deixou ficar e oferece-nos outra especialidade da confeitaria de Coimbra, tinha doce de chila e nozes, que delicia.

Se o nosso treinador soubesse atirava-nos ao rio, ficou em segredo com a menina. Na mesa ao nosso lado estavam cinco homens, ares de 70 anos, um deles partilhava um monte enorme de fotografias antigas, aquilo chamou-me a atenção, tinha de ali haver história, naturalmente que não resisti e fui-me meter com eles.

Um vinha de Serpa, dois de Lisboa, dois de Guimarães e Porto, marcaram encontro em Coimbra para passarem o dia, recordar o que tinham passado em comum nos tempos de ultramar por terras de África e as histórias das suas vidas, não se viam há 46 anos, custou-me imenso deixá-los, gostaria tanto de ter passado o dia com eles, ouvir as suas histórias, derretida e embeiçada, teria trocado pela prova mas tive de os deixar ir, desejei-lhes feliciades e demonstrei a minha emoção pelo encontro entre eles.

No final da manhã emocionei-me, a prova internacional de triatlo acabara, o primeiro e segundo classificados foram dois portugueses, o Vilaça e o Batista, o terceiro foi um belga, depois de receberem as medalhas astearam-se as bandeiras e ouviu-se o hino português, cheguei às lágrimas, foi um momento bonito. Parabéns campeões!

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Não voltou a chover, no inicio da tarde o sol abriu e aqueceu, bem o escusávamos para a prova mas incomodou pouco, entretanto a zona de Triatlo anunciava o começo de mais uma competição, não resisti e assisti à prova de natação, quando soube que tinham de percorrer a nado 750 metros, seguidos de 20 Kms de bicicleta e ainda mais 5 kms de atletismo deixou-me a pensar nas capacidades e resistência dum ser humano particularmente na dedicação e sacrificio diário para conseguir feitos desta natureza, eu só não sabia que estava prestes a assistir a mais uma liçao de vida.

Não sei bem quantos atletas eram mas arrisco dizer alguns 50 ou mais, partiram todos no mesmo alinhamento mas logo se começaram a destacar os mais fortes, que belas imagens nos deram, pareciam peixes a dar à barbatana, confesso que aquelas imagens me impressionaram. Os três primeiros chegavam à margem, emergem da água e começam a correr na direção das suas bicicletas, enquanto isso iam tirando os fatos de natação, todos os segundos são importantes.

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Continuei a admirar os que ainda vinham a nadar, os mais isolados vão surgindo, por vezes apareciam em grupo e a um dado momento há um atleta, homem para uns cinquenta e piques anos que ao chegar à margem não se põe de pé tão rápido quanto os outros o que me reteve o olhar e nisto uma rapariga surge do público, aproxima-se da água com um par de muletas e entrega-lhas, o senhor põe-se de pé e só lhe vejo uma perna, que estaladão para a vida ali levei.

Fiquei com uma admiração tremenda pelo senhor, apeteceu-me ir dar-lhe um abraço, que determinação, que lição para todos nós que somos uns queixinhas na vida, eu achava que era uma pessoa forte mas com toda a certeza que daqui em diante me irei lembrar deste senhor e mais forte me tornarei. Pelo que soube o senhor participava em prova de estafetas, fez a parte dele e entregou o testemunho a alguém, não soube mais nada dele mas o que sei é que uma grande quantidade de atletas lhe ficaram atrás e com duas pernas.

A nossa prova decorreu sem sobresaltos, o tiro que é o mais exigente em termos de tempo perdido ou ganho correu muito bem, no final sentimos que tinhamos passado bons momentos e divertidos, iniciámos preparação para o regresso a casa.

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Já em casa, pouco depois de tomarmos uma chuveirada voltámos à estrada a caminho de Castelo Branco, apanhámos uma trovoada terrível, chuva a potes, trovões e relâmpagos incriveis, só alguém louco pode afirmar que foi uma aventura energizante percorrer a auto estrada nesta condição, confesso que gostei, talvez a apreciasse melhor no terraço de casa mas estava ali e era ali que tinha de a saborear.

Imperdível o concerto, já tinha vontade de ver um bom espétaculo, é a segunda vez que assisto e está cada vez melhor, foi o terminar de um dia fabuloso e em grande com Mazgani.

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