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A Sorte da Raposa

Partilha de emoções, experiências, reflexões ❤

A Sorte da Raposa

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Km 315 Valladolid

13.07.22, Dulce Ruano

 

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Quem anda pelas estradas dos nossos vizinhos espanhóis reconhece que quilómetro sim, quilómetro não, há uma estação de serviço, são mais que as mães. Em Portugal se pensamos parar para alguma necessidade seja ela qual for ou vamos à que se aproxima ou então teremos nova oportunidade daí a 40 Kms. No país ao nosso lado damo-nos ao pequeno luxo de decidir parar onde bem nos apetecer já que são aos molhos, compreende-se, o país é grande e serve de entremeio para o resto da Europa.

Antes a procura era acrescida pelos preços do combutível mais barato que os países que lhe fazem fronteira, porém atualmente já não é justificação para se ir a Espanha nem por preços nem por produtos, talvez agora o interesse seja outro, o da cultura.

Aos 315 Kms seguidos sem descansar, perto duma saída para Valladolid, parámos numa estação de serviço. Havia o serviço de combustível com uma pequena loja de conveniência e um hostel com um café na parte de baixo do edificio, deviam ser umas três e meia da tarde, quando me aproximei da entrada, o ruído era o tipico espanhol, concentrados maioritariamente na zona do balcão, falavam pelos cotovelos, rápidos, extremamente barulhentos, bebiam imenso alcool.

A servir havia três funcionários, um falava com três clientes, outro esfregava rodelas de laranja em copos de boca larga, enchia de gelo e carregava-o com gin, outro andava de um lado para o outro a disparar olhares dando-me a impressão que andava meio perdido sem saber o que fazer na confusão, neste momento seti-me totalmente ignorada, procurava trocos na carteira para o café que queria pedir, um homem aproxima-se do balcão com o seu copo de balão e pede mais gelo, é de imediato servido, olhava para mim como se eu fosse um extra terrestre ali caído.

Continuava sem ser atendida, pois claro que a minha pompa não me permitiu ali continuar e saí, o café já nem dado o queria.

Fui direto para a loja de conveniência dos combustiveís, perguntei se tinham café deduzindo que teriam uma máquina de meter moedas. Na ranhura do dinheiro havia um pequeno aviso que dizia “1,20” percebi que qualquer produto da máquina tivesse valor único. O copo saiu vazio, o rapaz estava de olho e foi ter comigo, meteu moedas dele e saiu mais um copo vazio, insistiu e saíu um jato de água a escaldar mas sem copo.

Entretanto entra um cliente para pagar combustível e em seguida o telefone da loja toca, o rapaz atende, ainda assim via nele a preocupação em me atender e ser prestável, eu só pensava na dificuldade que estava a ter para tomar um café mas sentia uma espécie de conforto. Após várias tentativas e esperas de que a máquina fizesse um reset sai finalmente um café estranhamente agradável.

De facto, os espanhóis têm uma boa quantidade de serviços nas estradas mas nesta foi um sofrimento para a toma de um café, ainda assim num espaço de vinte metros reconheci que o atendimento e o produto são bastante diferentes entre um estabelecimento grande, bonito, agradável, fresco e um de pequena dimensão, muito quente no interior, com aspeto interior a desejar mas ainda assim fui bem atendida e satisfeita com o melhor café que alguma vez tomei em Espanha.

Nem tudo o que reluz é ouro! A próxima vez que por ali andar e chegar aos 315 kms paro para tomar café na loja do combustivel.